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Precificação e Lucro~6 min de leitura

CMV (Custo da Mercadoria Vendida)

CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é o custo direto dos produtos que a empresa vendeu em um período. Fórmula: CMV = Estoque Inicial + Compras - Estoque Final. É essencial para calcular lucro bruto, margem e precificação correta.

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O que é CMV (Custo da Mercadoria Vendida)?

O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) mostra quanto custou aquilo que você efetivamente vendeu. Não é o que comprou no período (pode ter sobrado em estoque), é o custo específico das mercadorias que saíram pela porta. É um dos conceitos mais importantes da contabilidade gerencial e da precificação, porque determina diretamente o lucro bruto — e, consequentemente, toda a estrutura de resultados da empresa. Sem saber o CMV com precisão, o empreendedor não tem como saber se está vendendo com lucro ou prejuízo.

A fórmula clássica do CMV é: CMV = Estoque Inicial + Compras no Período - Estoque Final. Se a empresa começou o mês com R$ 20.000 em estoque, comprou R$ 15.000 em mercadorias e terminou com R$ 18.000 em estoque: CMV = 20.000 + 15.000 - 18.000 = R$ 17.000. Isso significa que as mercadorias que saíram da loja (foram vendidas) custaram R$ 17.000 para a empresa. Note que as compras do período podem ser maiores ou menores que o CMV — isso depende da variação do estoque.

Detalhamento da fórmula — As "Compras" no cálculo do CMV devem incluir todos os custos para colocar a mercadoria disponível para venda: preço de aquisição do produto, frete sobre compras, seguro de transporte, impostos não recuperáveis (como ICMS-ST em alguns casos), e custos de armazenagem diretamente atribuíveis. Devem ser deduzidas: devoluções de compras, abatimentos obtidos e impostos recuperáveis (ICMS, PIS/COFINS no regime não cumulativo).

Métodos de avaliação de estoque — A maneira como você calcula o custo unitário das mercadorias no estoque impacta diretamente o CMV. No Brasil, os três métodos mais usados são: (a) PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair) — também conhecido como FIFO. As mercadorias mais antigas são consideradas vendidas primeiro. Em períodos de inflação, o PEPS resulta em CMV menor (usa custos antigos, mais baratos) e lucro bruto maior. É o método mais aceito pela Receita Federal. (b) Custo Médio Ponderado — cada nova compra recalcula o custo médio unitário do estoque. É o método mais utilizado por PMEs brasileiras por sua simplicidade. Exemplo: tinha 100 unidades a R$ 10 (R$ 1.000). Comprou 50 a R$ 12 (R$ 600). Novo custo médio: R$ 1.600 / 150 = R$ 10,67. (c) UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair) — também conhecido como LIFO. As mercadorias mais recentes são consideradas vendidas primeiro. Em inflação, resulta em CMV maior e lucro menor (vantagem fiscal). Porém, NÃO é aceito pela Receita Federal brasileira nem pelas normas IFRS/CPC. Usado apenas em análises gerenciais.

CMV para serviços — Empresas de serviços não vendem mercadorias, mas têm um custo equivalente chamado CSV (Custo dos Serviços Vendidos) ou CPV (Custo dos Produtos/Serviços Vendidos). O CSV inclui: mão de obra direta (salários dos profissionais que executam o serviço), materiais consumidos diretamente na prestação, custos diretos atribuíveis (deslocamento para atendimento, ferramentas específicas do serviço). Por exemplo, uma empresa de manutenção de ar-condicionado tem CSV composto por: salário dos técnicos (R$ 3.500/mês cada), peças utilizadas (R$ 800/serviço em média), deslocamento (R$ 150/visita). Se realizou 40 serviços no mês: CSV = (R$ 3.500 x 2 técnicos) + (R$ 800 x 40) + (R$ 150 x 40) = R$ 45.000.

Impacto do CMV na DRE — O CMV é a primeira e mais importante dedução na Demonstração do Resultado do Exercício. A sequência é: Receita Líquida - CMV = Lucro Bruto. Se a Receita Líquida é R$ 100.000 e o CMV é R$ 55.000, o Lucro Bruto é R$ 45.000 (margem bruta de 45%). A margem bruta é o principal indicador de eficiência do produto — quanto menor o CMV em relação à receita, mais sobra para cobrir despesas operacionais e gerar lucro. Margens brutas de referência por setor no Brasil: supermercados 20-30%, varejo de vestuário 50-65%, restaurantes 60-70%, serviços profissionais 70-85%, software/SaaS 80-95%.

CMV e gestão de estoque — Um CMV bem controlado depende de um bom controle de estoque. Sem inventário preciso (contagem física regular ou sistema automatizado), o cálculo do CMV será impreciso. Divergências entre estoque físico e contábil podem indicar: furtos internos ou externos, perdas por vencimento ou deterioração, erros de lançamento no sistema, ou mercadorias recebidas sem nota. Recomenda-se fazer inventário físico no mínimo trimestralmente para PMEs com estoque significativo.

Dica prática — Se você não tem sistema de estoque, faça uma contagem física no primeiro e último dia de cada mês. Registre todas as notas de compra. Com essas três informações (estoque inicial, compras, estoque final), você calcula o CMV com precisão suficiente para tomar boas decisões de precificação.

Na prática: como aplicar no seu negócio

Imagine que você tem uma loja de materiais esportivos em Recife. No início de abril, seu estoque valia R$ 95.000. Durante o mês, você comprou R$ 42.000 em mercadorias (tênis, roupas, acessórios). No final de abril, a contagem física mostrou R$ 78.000 em estoque. CMV = R$ 95.000 + R$ 42.000 - R$ 78.000 = R$ 59.000. Se o faturamento foi R$ 110.000, seu lucro bruto foi R$ 51.000 (margem bruta de 46%). Com o CMV controlado, você consegue: (1) descobrir se a margem bruta está dentro do esperado para o setor (varejo esportivo costuma ficar entre 40-55%), (2) identificar se houve perda ou furto — se o CMV calculado é muito diferente do esperado, pode haver problema no estoque, e (3) precificar corretamente cada categoria, já que tênis pode ter CMV de 55% enquanto acessórios têm CMV de 35%. Sem controle de CMV, você não sabe se está lucrando ou vendendo no prejuízo.

Exemplos práticos

  • Loja de eletrônicos: estoque inicial R$ 50.000, comprou R$ 30.000, estoque final R$ 35.000. CMV = R$ 45.000. Se vendeu R$ 80.000: lucro bruto = R$ 35.000 (margem bruta 44%).
  • Restaurante: comprou R$ 8.000 em ingredientes, sobrou R$ 500. CMV = R$ 7.500. Faturou R$ 25.000. Margem bruta: 70%.

Cuidado: confusões comuns

  • Atenção: CMV NÃO é igual ao total de compras do mês — se você comprou R$ 42.000 mas só vendeu mercadorias que custaram R$ 59.000 (usando estoque anterior), o CMV é R$ 59.000, não R$ 42.000.
  • Atenção: CMV NÃO inclui despesas operacionais como aluguel ou salários — ele considera apenas o custo direto da mercadoria vendida (preço de compra + frete + impostos de aquisição). Aluguel e salários são despesas, não CMV.
  • Atenção: CMV baixo NÃO é sempre melhor — um CMV de 20% pode indicar que você está cobrando caro demais e perdendo vendas. Supermercados operam com CMV de 75% e lucram no volume. O ideal depende do modelo de negócio.

Perguntas Frequentes

Não exatamente. Custo do produto é unitário. CMV é o total dos custos das mercadorias que foram vendidas em um período. CMV inclui todos os produtos vendidos.

Se você não tem controle de estoque, faça contagens físicas no início e fim do mês. Ou use a simplificação: CMV ≈ Total de Compras (para negócios com giro rápido e pouco estoque).

Depende. CMV alto em relação a receita significa margem bruta baixa. Supermercados têm CMV alto (70-80%) mas compensam com volume. Serviços têm CMV baixo (10-30%).

Sim. O CMV deve incluir todos os custos para colocar a mercadoria disponível para venda: preço do produto + frete + seguro + impostos não recuperáveis.

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