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Tributos e Impostos~4 min de leitura

Regime Tributário

Regime tributário é o conjunto de regras que define como a empresa calcula e paga seus impostos. No Brasil, existem 3 opções: Simples Nacional (até R$ 4,8 milhões/ano), Lucro Presumido (até R$ 78 milhões/ano) e Lucro Real (obrigatório acima de R$ 78 milhões). A escolha errada pode custar milhares de reais por ano.

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O que é Regime Tributário?

Escolher o regime tributário é uma das decisões mais importantes para a empresa — e uma das mais negligenciadas. Muitos empreendedores ficam no Simples "porque é mais fácil", sem avaliar se é o mais econômico.

Simples Nacional: guia única (DAS), alíquotas progressivas de 4% a 33%. Ideal para: empresas com faturamento até R$ 4,8M e margens médias. Vantagem: simplicidade. Desvantagem: não gera créditos de ICMS/PIS/COFINS.

Lucro Presumido: base de cálculo presumida (8% comércio, 32% serviços). IRPJ 15%, CSLL 9%, PIS 0,65%, COFINS 3%. Ideal para: empresas com margem real acima da presumida. Vantagem: pode ser mais barato que Simples para margens altas.

Lucro Real: base de cálculo = lucro contábil real. IRPJ 15% + adicional 10%, CSLL 9%, PIS 1,65%, COFINS 7,6% (não cumulativos). Ideal para: empresas com margens apertadas, indústrias com créditos tributários. Vantagem: paga imposto sobre o lucro real. Desvantagem: contabilidade mais complexa e cara.

Simulação é essencial: faça o cálculo nos 3 regimes com seu contador antes de definir. A opção é feita uma vez por ano (janeiro) e não pode ser alterada até o ano seguinte.

Na prática: como aplicar no seu negócio

Imagine que você tem uma empresa de manutenção de ar-condicionado em Brasília com faturamento de R$ 600.000/ano, 3 técnicos CLT (folha de R$ 12.000/mês) e margem de lucro de 25%. Seu contador deve simular os 3 regimes: Simples Nacional (Anexo III, fator R = R$ 144.000/R$ 600.000 = 24%, abaixo de 28%, cai no Anexo V): alíquota efetiva ~17,5% = R$ 105.000/ano. Se contratar mais 1 técnico (folha sobe para R$ 16.000, fator R = 32%, acima de 28%): migra para Anexo III, alíquota ~11,5% = R$ 69.000. Lucro Presumido (serviço, presunção 32%): IRPJ + CSLL + PIS/COFINS + INSS patronal ≈ 16,3% = R$ 97.800. Com esse comparativo, você: (1) descobre que contratar 1 técnico a mais (custo de R$ 27.000/ano com encargos) economiza R$ 36.000/ano em impostos no Simples — lucro líquido de R$ 9.000, (2) agenda com o contador a simulação em outubro para decidir o regime de janeiro do ano seguinte, e (3) reavalia anualmente, pois mudanças no faturamento ou na folha alteram completamente o resultado. Sem essa análise, você pode estar pagando R$ 30.000+ a mais por ano no regime errado.

Exemplos práticos

  • Comércio com faturamento de R$ 1,2M/ano e margem de 15%. Simples: ~8,5% (R$ 102.000). Presumido: ~5,9% (R$ 70.800). Economia no Presumido: R$ 31.200/ano.
  • Consultoria com faturamento de R$ 600.000/ano e 2 funcionários. Simples (Anexo V, fator R < 28%): ~18%. Presumido: ~16%. Simples (com fator R ≥ 28%, Anexo III): ~11%. Decisão: contratar mais para ter fator R ≥ 28%.

Cuidado: confusões comuns

  • Atenção: Regime tributário NÃO pode ser trocado no meio do ano — a escolha é feita em janeiro e vale para os 12 meses. Se você abriu a empresa em julho e escolheu o Simples, só pode mudar para Presumido ou Real no janeiro seguinte.
  • Atenção: Regime tributário NÃO é a mesma coisa que porte da empresa — MEI, ME e EPP são classificações de porte (baseadas no faturamento). Simples, Presumido e Real são regimes tributários (formas de calcular impostos). Uma ME pode estar no Simples ou no Presumido.
  • Atenção: Pagar menos imposto NÃO é o único critério — no Lucro Real, o imposto pode ser menor, mas o custo contábil é maior (R$ 2.000 a R$ 5.000/mês vs. R$ 500 a R$ 1.500 no Simples). Além disso, empresas do Simples não geram créditos de ICMS/PIS/COFINS para clientes PJ, o que pode afastar compradores.

Perguntas Frequentes

Não. A opção é feita em janeiro e vale para o ano inteiro. Exceção: empresa nova escolhe no momento da abertura. Por isso, a simulação prévia é crucial.

Não. Para serviços com margem alta (consultoria, TI), o Lucro Presumido pode ser mais barato. Para comércio de alto faturamento, o Lucro Real pode gerar créditos de ICMS que compensam.

Seu contador. Ele faz a simulação nos 3 regimes com base no faturamento previsto, margem e folha de pagamento. Se o contador não faz isso proativamente, considere trocar de contador.

MEI é uma modalidade dentro do Simples Nacional, com regras específicas (imposto fixo mensal). Ao ultrapassar o limite do MEI, você deve escolher entre Simples, Presumido ou Real.

Termos relacionados

Simples Nacional

Simples Nacional é um regime tributário simplificado para micro e pequenas empresas com faturamento até R$ 4,8 milhões/ano. Unifica 8 tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS, CPP) em uma única guia mensal (DAS). Alíquotas efetivas variam de 4% a 33%.

Lucro Presumido

Lucro Presumido é um regime tributário onde a Receita Federal presume uma margem de lucro fixa (8% a 32% da receita, conforme a atividade) e cobra IRPJ e CSLL sobre esse lucro presumido. Disponível para empresas com receita bruta anual de até R$ 78 milhões.

Lucro Real

Lucro Real é o regime tributário onde IRPJ e CSLL são calculados sobre o lucro contábil efetivo da empresa, ajustado por adições e exclusões legais. É obrigatório para empresas com receita acima de R$ 78 milhões/ano e opcional para as demais. Permite aproveitar prejuízos fiscais e créditos de PIS/COFINS.

DAS (Documento de Arrecadação do Simples)

DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) é a guia única de pagamento dos tributos do Simples Nacional e do MEI. Para MEI, é um valor fixo mensal (~R$ 76-81). Para demais empresas do Simples, é calculado sobre o faturamento. Vence dia 20.

Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)

A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) é o documento digital que registra a venda de mercadorias (produtos físicos). Substituiu a nota fiscal em papel e é obrigatória para a maioria das empresas. Para emitir, é necessário certificado digital, software emissor e cadastro na SEFAZ do estado.

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias)

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é o principal imposto estadual brasileiro. Incide sobre vendas de mercadorias, transporte e comunicação. Alíquotas variam de 7% a 35% dependendo do estado e do produto. No Simples Nacional, o ICMS está incluído no DAS.

IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)

IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) é o imposto federal sobre o lucro das empresas. Alíquota: 15% sobre o lucro + adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20.000/mês. No Simples Nacional, está incluso no DAS. No Presumido e Real, é calculado e pago separadamente.

CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas)

O CNAE é o código que classifica a atividade econômica de toda empresa no Brasil. Ele determina quais impostos você paga, se pode optar pelo Simples Nacional e até quais obrigações acessórias precisa cumprir. Escolher o CNAE errado pode custar caro.

IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física)

O IRPF é o imposto federal sobre a renda das pessoas físicas, com alíquotas progressivas de 0% a 27,5%. Empreendedores pagam IRPF sobre pró-labore, distribuição de lucros (isenta em regra) e rendimentos pessoais. A declaração anual é obrigatória acima de certos limites.

Elisão Fiscal

Elisão fiscal é o uso de meios legais para reduzir a carga tributária de uma empresa ou pessoa física. Diferente da evasão (que é crime), a elisão aproveita brechas na legislação, incentivos fiscais e escolhas estratégicas de regime tributário para pagar menos impostos dentro da lei.

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